terça-feira, julho 08, 2008
uma bebida e um amor, sem gelo por favor!
Volto ao começo do mundo, onde a vida ainda gesta, onde o escuro permeia todos os instantes do dia, para poder te ver antes de existires dentro dos meus olhos, para poder te saber antes que eu só saiba de mim depois da tua chegada, antes de me dares um nome, um corpo nascido das tuas mãos, antes que eu viva impregnada disso tudo de nós. Volto, volto ao que não era, ao que foi porvir, e reivindico ao tempo eu feita de mim mesma. Tomo-me louca e santa, cega e oca, tomo-me de volta, ressuscitada e re-nata para ser uma de mim que não te conhece, uma de mim onde teus pés não pisaram, uma de mim que não conheceu tua língua molusca de prata, que não sabe da cor dos teus cílios cheios de noite, da dor da tua casa incendiada, do teu peito emborcado, da solidão que anda por tua pele. Volto e me elejo nova, outra, livre de tudo que é teu, para finalmente deitar-me de novo a teu lado, alva e leve, e esperar que me invadas todas as frestas.
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