Todos os dias quando saio do trabalho dou uma leve olhada, de canto de olho, pra casa onde meu pai morava... É um olhar medroso, doído, saudoso... Ela está vazia. Tudo ali lembra ele... até o cheiro. E cada dia parece que dói um pouco mais... Nunca escrevi pra ele... Nunca disse aqui nada sobre isso... Isso pq nunca encontrei nenhuma palavra que fosse capaz de dizer o que é, o que acontece aqui dentro de mim... dizer o quanto eu o amava e o quanto me dói a sua ausencia... ele foi um bom pai... eu o amava...
"A casa tem espaços desertos, tem noite escondida e um vento que surge de lugar nenhum. A casa dói pelas paredes e se encolhe nos cantos, apodrece as flores nos vasos e tranca as portas por dentro. A casa engole o ar, respira para dentro e vai se apequenando como um novelo de suspiros cada vez mais curtos. A casa quase se asfixia, em sua insuficiência azul entrecortada e se esparrama pelas escadas em busca de terra, em busca de chão frio junto aos ladrilhos. A casa não dorme, estala madeiras e espreita ressentida pelas frestas quem não passa pela calçada. A casa desmorona secretamente, esconde os brinquedos quebrados no sótão e cospe baratas dos ralos. Ali não mora mais ninguém."
P.A
sábado, junho 30, 2007
Tua presença ressuscitada persegue-me cão pelas frestas do dia e desperta o gume das coisas. Então tudo corta e tudo fere, tudo faz sangrar e retalha, tudo crava farpas sob as unhas, tudo espalha cacos de vidro pelo chão. Eu rogo a mudez e o silêncio do de dentro, mas tenho teu nome dentro dos olhos, tenho todo o teu corpo insepulto a lembrar-me que era parte do meu.
Por patrícia Antoniete.
mas bem que podia ser meu...
Por patrícia Antoniete.
mas bem que podia ser meu...
sexta-feira, junho 22, 2007
Não Adianta
Sérgio Sampaio
não adianta,
não adianta nada ver a banda,
tocando “a banda” em frente da varanda,
não adianta o mar,
e nem a sua dor.
não adianta,
não adianta o bonde,
a esperança,
e nem voltar um dia a ser criança,
o sonho acabou,
e o que adiantou?
não tenho pressa,
mas tenho um preço,
e todos tem um preço,
e tenho um canto,
um velho endereço,
o resto é com vocês,
o resto não tem vez.
o que importa,
é que já não me importa, o que importa,
é que ninguém bateu em minha porta,
é que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.
não quero nada,
não deixo nada,
que não tenho nada,
só tenho o que me falta e o que me basta,
no mais é ficar só,
eu quero ficar só.
não adianta,
não adianta, que não adianta,
não é preciso, que não é preciso,
então pra que chorar?
então pra que chorar?
quem está no fogo, está pra se queimar,
então pra que chorar?
(Na voz de Zeca Baleiro em seu novo cd "Baladas do asfalto e outros blues ao vivo". P-E-R-F-E-I-T-O!!!!!)
Sérgio Sampaio
não adianta,
não adianta nada ver a banda,
tocando “a banda” em frente da varanda,
não adianta o mar,
e nem a sua dor.
não adianta,
não adianta o bonde,
a esperança,
e nem voltar um dia a ser criança,
o sonho acabou,
e o que adiantou?
não tenho pressa,
mas tenho um preço,
e todos tem um preço,
e tenho um canto,
um velho endereço,
o resto é com vocês,
o resto não tem vez.
o que importa,
é que já não me importa, o que importa,
é que ninguém bateu em minha porta,
é que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.
não quero nada,
não deixo nada,
que não tenho nada,
só tenho o que me falta e o que me basta,
no mais é ficar só,
eu quero ficar só.
não adianta,
não adianta, que não adianta,
não é preciso, que não é preciso,
então pra que chorar?
então pra que chorar?
quem está no fogo, está pra se queimar,
então pra que chorar?
(Na voz de Zeca Baleiro em seu novo cd "Baladas do asfalto e outros blues ao vivo". P-E-R-F-E-I-T-O!!!!!)
domingo, junho 17, 2007
Domingos...
tem cheiro de tristeza, de lembranças distantes, de dias que não voltam...
Sinto falta do teu cheiro nas tardes de domingo... do peso da tua cabeça no meu colo... dos teus cabelos entre os meus dedos... da tua sala...
Me mata todo dia a tua falta...
Não podes achar que fico melhor longe de vc...
És o meu ar, meu chão, meu céu... negar isso é como negar ar aos meus pulmões...
tem sido os piores dias da minha vida.
Eu queria ter a opção de tbm desistir. esperar que algum dia eu deixe de existir... Mas não me é dada esta opção...
Queria ser mais forte... Queria n sentir essa dor... queria n derramar uma lágrima cada vez que penso no teu nome... Eu queria te odiar...
Eu queria te odiar por ter me deixado sozinha no momento que eu mais precisei de vc. Eu queria te odiar por ter pensado só em si mesmo o tempo todo. Eu queria te odiar por ter me feito acusações infundadas, por ter me ferido mortalmente. Eu queria te odiar por não me amar, por ter desistido, por não lutar, por achar que não vale a pena... Mas eu so consigo te amar mais a cada dia... É doença isso?
Me disseram que só o amor tem estrutura pra sofrer... que só o amor pode dar sem desejar nada em troca e que a melhor e mais valiosa coisa que se pode dar a alguém que se ama é a si mesmo...
Um dia eu disse: "sou tua". Este é um caminho sem volta...
tem cheiro de tristeza, de lembranças distantes, de dias que não voltam...
Sinto falta do teu cheiro nas tardes de domingo... do peso da tua cabeça no meu colo... dos teus cabelos entre os meus dedos... da tua sala...
Me mata todo dia a tua falta...
Não podes achar que fico melhor longe de vc...
És o meu ar, meu chão, meu céu... negar isso é como negar ar aos meus pulmões...
tem sido os piores dias da minha vida.
Eu queria ter a opção de tbm desistir. esperar que algum dia eu deixe de existir... Mas não me é dada esta opção...
Queria ser mais forte... Queria n sentir essa dor... queria n derramar uma lágrima cada vez que penso no teu nome... Eu queria te odiar...
Eu queria te odiar por ter me deixado sozinha no momento que eu mais precisei de vc. Eu queria te odiar por ter pensado só em si mesmo o tempo todo. Eu queria te odiar por ter me feito acusações infundadas, por ter me ferido mortalmente. Eu queria te odiar por não me amar, por ter desistido, por não lutar, por achar que não vale a pena... Mas eu so consigo te amar mais a cada dia... É doença isso?
Me disseram que só o amor tem estrutura pra sofrer... que só o amor pode dar sem desejar nada em troca e que a melhor e mais valiosa coisa que se pode dar a alguém que se ama é a si mesmo...
Um dia eu disse: "sou tua". Este é um caminho sem volta...
quarta-feira, junho 13, 2007
Então... após os ultimos acontecimentos nada de pior pode acontecer...
Tenho sentido fortes dores no peito, o que já me levou pro pronto socorro duas vezes. Meu trabalho está acumulando, e eu estou me afogando nele... O que até fazia parte do meu plano pra matar o meu "eu" e me tornar apenas um zumbi. talvez assim eu deixasse de ter sentimentos... Não está dando certo.
Apesar de passar 12 horas por dia trabalhando, eu ainda tenho tempo pra insônia...
E agora estou tomando antidepressivos... Tem alguma coisa mais depressiva que antidepressivos? só de saber que estou tomando antidepressivos eu me deprimo.
Meu médico disse que as dores no peito tem fundo emocional, e que as perdas que sofri podem estar provocando isso...
É, perdas.
É assim que eles se referem ao meu caso... perdas. no plural.
Meu pai partiu para um outro plano no ultimo dia 23...ou 24... ainda n estou certa nem de que dia é hj.... E pq perdas? pq o plural??? bom... parece que a gente tbm pode perder pessoas ainda que elas continuem vivas...
Sabem de uma coisa? eu me perdi.
faço parte da lista de perdas que sofri. E embora esta seja uma esperança idiota que tenho, talvez um dia eu volte a me encontrar nos olhos de um certo rapaz... por agora eu sou somente lembranças... nada mais.
Tenho sentido fortes dores no peito, o que já me levou pro pronto socorro duas vezes. Meu trabalho está acumulando, e eu estou me afogando nele... O que até fazia parte do meu plano pra matar o meu "eu" e me tornar apenas um zumbi. talvez assim eu deixasse de ter sentimentos... Não está dando certo.
Apesar de passar 12 horas por dia trabalhando, eu ainda tenho tempo pra insônia...
E agora estou tomando antidepressivos... Tem alguma coisa mais depressiva que antidepressivos? só de saber que estou tomando antidepressivos eu me deprimo.
Meu médico disse que as dores no peito tem fundo emocional, e que as perdas que sofri podem estar provocando isso...
É, perdas.
É assim que eles se referem ao meu caso... perdas. no plural.
Meu pai partiu para um outro plano no ultimo dia 23...ou 24... ainda n estou certa nem de que dia é hj.... E pq perdas? pq o plural??? bom... parece que a gente tbm pode perder pessoas ainda que elas continuem vivas...
Sabem de uma coisa? eu me perdi.
faço parte da lista de perdas que sofri. E embora esta seja uma esperança idiota que tenho, talvez um dia eu volte a me encontrar nos olhos de um certo rapaz... por agora eu sou somente lembranças... nada mais.
sexta-feira, junho 01, 2007
saudade de um grande amor...
"Tu rastro en mí es un árbol de la cual alzaron vuelo centenas de pájaros, llena de rumores y nidos, plumas, patículas pendientes contra el cielo en el dorado del sol. Cuando te vas, queda conmigo un silencio repleto de luz, de furia y de fiesta, como si a las ramas pertenecieran las alas, como si a las raíces perteneciera el azul..."
Haverá uma hora qualquer em que tu, entre o seio e a mão, me doerás menos. Talvez haverá mesmo uma hora qualquer em que tu não haverás mais de me doer, em que eu poderei sorrir descalça sobre as lembranças que irão perdendo o gume no rolar no tempo, uma hora na qual a mim será permitido encontrar-te sem que meu corpo se reconfigure ao redor do teu e minha pele não seja toda um livro de memórias. Quem sabe nessa hora, já livre dos arpões, eu não tenha mais nos olhos o perfume oco dos meus vazios e entre o seio e a mão possa florescer uma asa fugida.
Agora ainda arde a tua ausência...
feridas que não sangram doem muitíssimo mais...
Haverá uma hora qualquer em que tu, entre o seio e a mão, me doerás menos. Talvez haverá mesmo uma hora qualquer em que tu não haverás mais de me doer, em que eu poderei sorrir descalça sobre as lembranças que irão perdendo o gume no rolar no tempo, uma hora na qual a mim será permitido encontrar-te sem que meu corpo se reconfigure ao redor do teu e minha pele não seja toda um livro de memórias. Quem sabe nessa hora, já livre dos arpões, eu não tenha mais nos olhos o perfume oco dos meus vazios e entre o seio e a mão possa florescer uma asa fugida.
Agora ainda arde a tua ausência...
feridas que não sangram doem muitíssimo mais...
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