Aí estávamos nós, Aline e eu, no carro, poderosérrimas, ouvindo "Pink" (Aerosmith) no ultimo volume, voltando pra casa felizes por termos saído com vida daquela não-tão-pacata cidade quando percebo um barulho estranho, de cara achei que a Aline teria atropelado qualquer bicho (é comum isso aqui no cerrado pq os bichos gostam de atravessar a estrada. Parece que a grama é melhor do outro lado, sempre.) Enfim, o troço não era bem um bicho mas qualquer coisa bem pontiaguda que fez um buraco enorme no pneu...
Todos devem saber que trocar pneu não é bem o forte das damas mas nós não somos apenas damas, nós somos Divas, isso teria que fazer alguma diferença, né? não fez.
A Aline tentou convencer o pneu de que ela era uma diva e ele sendo somente um pneu não devia ter a audácia de furar na metade do caminho entre o nada e o lugar-algum, enquanto isso eu estava tentando encontrar alguma coisa que se parecesse com um "macaco" no porta-malas, muito embora eu não me lembrasse da aparência de um.
Depois de ter lamentado de todas as formas ter aceitado o convite para a viagem e de ter dito toda a sorte de palavrões (divas só fazem isso em momentos de extrema necessidade) começamos a tentar trocar o pneu, sim pq levou hooooras....
Pra variar o sol do cerrado estava escaldante, e a água com gás gelada virou salmora quente. E enquanto eu me esforçava, suava a blusa tentando trocar o maldito pneu, a Aline se preocupava e escolher a musica certa pra ocasião... é... não queiram nunca ter uma amiga feito ela.
Eu fico mesmo pensando em onde foi parar o cavalheirismo, pq nenhum carro sequer parou pra nos ajudar... fala sério! Acho que a Aline poderia tirar a roupa e dançar completamente nua no meio do asfalto e eles não parariam... que merda! Culpa dessas feministas de plantão, mas falo disso outro dia.
Como se ainda fosse pouco ter ficado duas horas tentando trocar o maldito pneu, quando finalmente consigo e nos preparamos para ir embora, o carro simplesmente não pega. É, isso mesmo, a anta da Aline acabou com o que restava da bateria do carro ouvindo musiquinhas escrotas enquanto eu me matava. Eu queria ter uma corda nessa hora... Não, não era pro guincho, era pra matar a Aline.
É claro que não arredei o pé do carro, já tinha trocado o pneu sozinha o que mais ela queria, que eu descesse do carro e fosse empurrar? aí já é o fim... trocamos de lugar, ela empurrou o carro e eu fui dirigindo até chegar em casa.
Eu proíbi ela de falar comigo, perdi completamente o humor, além das unhas.
É claro que ela continuou falando, ela n me escuta.
Eu fiquei dias sem querer ouvir a voz dela mas agora já consigo ouvi-la sem que me dê vontade de trucidá-la.
Ela já programou outra viagem, dessa vez pra Salto de corumbá...
eu vou me internar na data marcada, não quero correr o risco.
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Um comentário:
ow, vc não pode me chamar de anta assim...
tá pensando oq?!
nem pense em fugir de Corumbá, eu encontro vc seja onde for.
e as musicas não eram escrotas.
No mais, ficou mesmo muito boa a nossa aventura e tudo muito real, menos a parte que vc me chama de anta...
bjo miga...
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