Às vezes dói como um parto, essa coisa de vibrar pelo avesso, isso de reinventar-se de pé. Rastejo, essa é que é a verdade, pequena e triste, como só podem ser miseravelmente pequenas e miseravelmente tristes as sombras derruídas dos insetos, pelas paredes, pelos meios-fios, pelas calçadas, pelos tampos de móveis cheios de poeira e passado. Rastejo, ainda que disfarçada sobre minhas patas, levando em mim uma inexplicável vergonha da crença, da fé, da desmesura, da entrega inteira, uma imensa vergonha de ainda, de apesar de, de a despeito de, te esperar com meus olhos cheios de sonhos nas mãos.
Por Patrícia Antoniete.
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